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São Frei Galvão, 1º Santo nascido no Brasil




Palavra do Senhor
Por que este medo, gente de pouca fé? Então, levantando-se, deu ordens aos ventos e ao mar, e fez-se uma grande calmaria.
(Mateus 8,26)

Todo o que nele crer não será confundido[...] Porque todo aquele que invocar o nome do Senhor será salvo.
(Romanos 10,11.13))

Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura.
(Marcos 16,15)

Antes bem-aventurados aqueles que ouvem a palavra de Deus e a observam!
(Lucas 11,28)

Sede cumpridores da palavra e não apenas ouvintes; isto equivaleria a vos enganardes a vós mesmos.
(Tiago 1,22)

O olho é a lâmpada do corpo. Se teu olho é são, todo o corpo será bem iluminado; se, porém, estiver em mau estado, o teu corpo estará em trevas. Vê, pois, que a luz que está em ti não sejam trevas.
(Lucas 11,34-35)

Ora, o fruto da luz é bondade, justiça e verdade. Procurai o que é agradável ao Senhor, e não tenhais cumplicidade nas obras infrutíferas das trevas; pelo contrário, condenai-as abertamente.
(Efésios 5,9-11)

Não temais, pequeno rebanho, porque foi do agrado de vosso Pai dar-vos o Reino.
(Lucas 12,32)

Sede contentes e agradecidos ao Pai, que vos fez dignos de participar da herança dos santos na luz. Ele nos arrancou do poder das trevas e nos introduziu no Reino de seu Filho muito amado, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados.
(Colossenses 1,12-14)

Dei-lhes a tua palavra, mas o mundo os odeia, porque eles não são do mundo, como também eu não sou do mundo. Não peço que os tires do mundo, mas sim que os preserves do mal.
(João 17,14-15)

Em verdade, em verdade vos digo: o que pedires ao Pai em meu nome, ele vo-lo dará. Até agora não pedistes nada em meu nome. Pedi e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita.
(João 16,23-24)

O Senhor torna-se refúgio para o oprimido, uma defesa oportuna para os tempos de perigo. Aqueles que conheceram vosso nome confiarão em vós, porque, Senhor, jamais abandonais quem vos procura.
(Salmo 9,10-11)

Nem eu te condeno. Vai e não tornes a pecar.
(João 8,11)

Feliz aquele cuja iniquilidade foi perdoada, cujo pecado foi absolvido. Feliz o homem a quem o Senhor não argúi de falta, e em cujo coração não há dolo.
(Salmo 31,1-2)

Eu te bendigo, Pai, Senhor do céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos e as revelaste aos pequeninos. Sim Pai, eu te bendigo, porque assim foi do teu agrado.
(Mateus 11,25-26)

O espírito é que vivica, a carne de nada serve. As palavras que vos tenho dito são espírito e vida.
(João 6,63)

Vinde à parte, para algum lugar deserto, e descansai um pouco.
(Marcos 6,31a)

Só em Deus repousa a minha alma, é dele que me vem o que eu espero. Só ele é meu rochedo e minha salvação, minha fortaleza: jamais vacilarei.
(Salmo 61,6-7)

Pois Deus não enviou o Filho ao mundo para condená-lo, mas para que o mundo seja salvo por ele. Quem nele crê não é condenado, mas quem não crê já está condenado; porque não crê no nome do Filho único de Deus.
(João 3,17-18)

Quem não está comigo, está contra mim; quem não recolhe comigo, espalha.
(Lucas 11,23)

Examinai-vos a vós mesmos, se estais na fé. Provai-vos a vós mesmos. Acaso não reconheceis que Cristo Jesus está em vós? [...] Mas espero que reconhecereis que ela não é contra nós.
(Coríntios 13,5-6)

Se alguém tiver sede, venha a mim e beba. Quem crê em mim como diz a Escritura: Do seu interior manarão rios de água viva.
(João 7,37b-38)

Ó Deus, vós sois o meu Deus, com ardor vos procuro. Minha alma está sedenta de vós anela como a terra árida e sequiosa, sem água.
(Salmo 62,2)

Não se perturbe o vosso coração. Credes em Deus, crede também em mim.
(João 14,1)

Por que te deprimes, ó minha alma, e te inquietas dentro de mim? Espera em Deus, porque ainda hei de louvá-lo: ele é minha salvação e meu Deus.
(Salmo 41,12)

Não julqueis, e não sereis julgados; não condeneis, e não sereis condenados; perdoai, e sereis perdoados.
(Lucas 6,37)

Assim, és inescusável, ó homem, quem quer que sejas, que te arvoras em juiz. Naquilo que julgas a outrem, a ti mesmo te condenas; pois tu, que julgas, fazes as mesmas coisas que eles.
(Romanos 2,1)

Bem-aventurados os que têm um coração de pobre, porque deles é o Reino dos céus!
(Mateus 5,3)

Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados!
(Mateus 5,4)

Bem-aventurados os mansos, porque possuirão a terra!
(Mateus 5,5)

Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados!
(Mateus 5,6)

Se fordes zelosos do bem, quem vos poderá fazer mal? E até sereis felizes, se padeceres alguma coisa por causa da justiça! Portanto, não temais as suas ameaças e não vos turbeis. Antes santificai em vossos corações Cristo, o Senhor.
( I Pedro 3,13-15a)

Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórida!
(Mateus 5,7)

Haverá juízo sem misericórdia para aquele que não usou de misericórdia. A misericórida triunfa sobre o julgamento.
(Thiago 2,13)

Bem-aventurados os puros de coração, porque verão Deus!
(Mateus 5,8)

Tenho esperança em Deus, como também eles esperam, de que há de haver a ressurreição dos justos e dos pecadores. Por isso, procuro ter sempre sem mácula a minha consciência diante de Deus e dos homens.
(Atos 24,15-16)

Bem-aventurados os pacíficos, porque serão chamados filhos de Deus!
(Mateus 5,9)

Observa o homem de bem, considera o justo, pois há prosperidade para o pacífico.
(Salmo 36,37)

Bem-aventurados os que são perseguidos por causa da justiça, porque deles é o Reino dos céus!
(Mateus 5,10)

Bem-aventurados sereis quando vos caluniarem, quando vos perseguirem e disserem falsamente todo o mal contra vós por causa de mim.
(Mateus 5,11)

O Deus de toda a graça, que vos chamou em Cristo à sua eterna glória, depois que tiverdes padecidos um pouco, vos aperfeiçoará, vos tornará inabaláveis, vos fortificará. A ele o poder na eternidade! Amém.
( I Pedro 5,10-11)

Em verdade, em verdade vos digo: antes que Abraão fosse, eu sou.
(João 8,58)

Jesus Cristo é sempre o mesmo: ontem, hoje e por toda a eternidade.
(Hebreus 13,8)

Daí, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus.
(Mateus 22,21)

Tu és digno Senhor, nosso Deus, de receber a honra, a glória e a majestade, porque criaste todas as coisas, e por tua vontade é que existem e foram criadas.
(Apocalipse 4,11)

Não temas! Eu sou o Primeiro e o Último, e o que vive. Pois estive morto, e eis-me de novo vivo pelos séculos dos séculos; tenho as chaves da morte e da região dos mortos.
(Apocalipse 1,17l-18)

A paz esteja convosco! Como o Pai me enviou, assim também eu vos envio a vós.
(João 20,21)

Creste, porque me viste.Felizes aqueles que creêm sem ter visto!
(João 20,29)

Este Jesus vós o amais, sem o terdes visto; credes nele, sem o verdes ainda, e isto é para vós a fonte de uma alegria inefável e gloriosa, porque vós estais certos de obter, como preço de vossa fé, a salvação de vossas almas.
( I Pedro 1,8-9)

Se, porém, andamos na luz como ele mesmo está na luz, temos comunhão recíproca uns com os outros, e o sangue de Jesus Cristo, seu Filho, nos purifica de todo pecado.
( I João 1,7)

Meu filho, coragem! Teus pecados te são perdoados.
(Mateus 9,2c)

Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda, esse é que me ama.
(João 14,21a)

Eis como deveis rezar: Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o vosso nome; venha a nós o vosso Reino; seja feita a vossa vontade, assim na terra como no céu.
(Mateus 6,9-10)

Considerai com que amor nos amou o Pai, para que sejamos chamados filhos de Deus. E nós o somos de fato.
( I João 3,1)

Deus disse: honra teu pai e tua mãe; aquele que amaldiçoar seu pai ou sua mãe será castigado de morte.
(Mateus 15,4)

Filhos, obedecei a vossos pais segundo o Senhor; porque isto é justo. O primeiro mandamento acompanhado de uma promessa é: Honra teu pai e tua mãe, para que sejas feliz e tenhas longa vida sobre a terra.
(Efésios 6,1-3)

Porque se levantarão falsos cristos e falsos profetas, que farão milagres a ponto de seduzir, se isto fosse possível, até mesmo os escolhidos. Eis que estais prevenidos.
(Mateus 24,24-25)

Quem é mentiroso senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Esse é o Anticristo, que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho não tem o Pai. Todo aquele que proclama o Filho tem também o Pai.
( I João 2,22-23)

Em verdade, em verdade te digo: quem não renascer da água e do Espírito não poderá entrar no Reino de Deus. O que nasceu da carne é carne, e o que nasceu do Espírito é espírito.
(João 3,5-6)

Mas todos aqueles que o receberam (Jesus), aos que creêm no seu nome, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus, os quais não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas sim de Deus.
(João 1,12-13)

Dou-vos um novo mandamento: Amai-vos uns aos outros. Como eu vos tenho amado, assim também vós deveis amar-vos uns aos outros.
(João 13,34)

A ninguém fiqueis devendo coisa alguma, a não ser o amor recíproco; porque aquele que ama o seu próximo cumpriu toda a lei. [...] A caridade não pratica o mal contra o próximo. Portanto, a caridade é o pleno cumprimento da lei.
(Romanos 13,8.10)

E a esperança não engana. Porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado.
(Romanos 5,5)

Quando Jesus viu sua mãe e perto dela o discípulo que amava, disse à sua mãe: Mulher, eis aí teu filho. Depois disse ao discípulo: Eis aí tua mãe. E dessa hora em diante o discípulo a levou para a sua casa.
(João 19,26-27)

Disse, então, sua mãe aos serventes: Fazei o que ele vos disser.
(João 2,5)

Eis que venho em breve, e a minha recompensa está comigo, para dar a cada um conforme as suas obras. Eu sou o Alfa e o Ômega, o Primeiro e o Último, o Começo e o Fim.
(Apocalipse 22,12-13)


Projeto: "Imortais de Guaratinguetá"

       Este link destina-se a mostrar as personalidades Guaratinguetaenses que se destacaram no cenário nacional e internacional.
Ernesto Quissak

     No dia 1º de abril de 1891, nasceu em Guaratinguetá Ernesto Leme Barbosa. Filho de José Agostinho Leme Barbosa, o Quiçaca e Gabriela Pereira Barbosa. Embora descendentes de famílias tradicionais e abastadas da cidade, o casal vivia modestamente.
     Devido à situação da família, o menino, logo que terminou o curso primário no Grupo Escolar “Dr. Flamínio Lessa”, deixou os estudos para ir em busca de uma profissão. Tornou-se aprendiz de mecânica. Depois, passou a aprendiz de marcenaria e tornearia.
     Desde pequeno, porem, ele mostrava grande vocação para a arte. Tinha muita facilidade para o desenho e, ainda jovem, conseguia ganhar algum dinheiro pintando as figuras de São João ou São Pedro para os mastros e bandeiras das festas desses santos. Seu maior desejo era estudar pintura.
     Aos quinze anos, depois de muito esforço, conseguiu juntar uma pequena quantia e partiu para o Rio de Janeiro, onde estavam os melhores professores. Lá chegando, era preciso, em primeiro lugar, conseguir emprego. Sem qualificações, aceitava os serviços que iam aparecendo.
     Foi caixeiro de loja, guia de turistas, desenhista de rua, até ser admitido como auxiliar de um fotografo. Este trabalho tomava-lhe quase todo o tempo, não permitindo que se dedicasse a pintura.
     Com grande força de vontade, lutando contra as barreiras que a vida lhe impunha, prosseguia, da melhor maneira possível, em busca de seu ideal.
     Apesar de não conseguir estudar como desejava, o Rio de Janeiro lhe proporcionou um crescimento pessoal muito grande, transformando-o de um simples rapaz interiorano num jovem bem-educado que circulava com desenvoltura na capital. A convivência com outros artistas mostrou-lhe a importância da cultura. Foi buscar nos livros o conhecimento que não pode adquirir na escola. Cedo aprendeu o valor das boas maneiras e do bem vestir.
     Transformou-se num “play-boy”, que apesar de não ter dinheiro, era bem recebido nos meios sociais. Assim pode fazer parte da “boemia carioca” e conviver com intelectuais como Olavo Bilac, Emilio e Nazaré Menezes, Luiz Pistarine, elevando o seu nível cultural e desenvolvendo o gosto pela literatura e poesia.
     Seus amigos mais chegados eram os jovens artistas que se reuniam no “Café Belas Artes” para horas de alegre confraternização: Guttman Bicho (pintor), Carlos Maul (escritor e jornalista), Agripino Grieco (escritor e crítico), Mario Horta, entre outros.
     Sempre que podia Ernesto pintava. No entanto, na luta “entre o feijão e o sonho”, o tempo ia passando sem que ele conseguisse um meio para poder se dedicar a arte. Convivendo com pintores, visitando exposições, sentia cada vez mais a necessidade de bons professores e muito estudo. Sem suporte financeiro, isso era impossível.
     Conservando o ânimo, apesar das dificuldades, ele às vezes deixava o Rio, trabalhava como fotografo, economizava e voltava a capital. Por um período esteve em Guaratinguetá, onde dirigiu a Fotografia Mendes. Em 1911, fez uma viagem ao sul de Minas, como auxiliar retocador do fotografo português Augusto Soucaseaux, que fora contratado para documentar as obras de arte Estrada de Ferro Central do Brasil.
     Nesse período, em sua terra, chamavam-no de Ernesto Quiçaca, pois o apelido de seu pai, como é comum acontecer, passara para os filhos. Nas fotografias usava o nome de Leme Barbosa. Algum tempo depois, seus trabalhos fotográficos traziam, impresso, o nome Quissak.
     Quem, e por que, teria mudado a grafia de Quiçaca para Quissak? Teria sido o próprio Ernesto, buscando um nome marcante para seus trabalhos artísticos? É provável, mas não se sabe com certeza. Também é desconhecido o motivo pelo qual ele e todos seus irmãos abandonaram o sobrenome da família, adotando, oficialmente, o apelido do pai.
     Em 1913, segundo Carlos Eugenio Marcondes de Moura, no seu livro “Retratos Quase Inocentes”, Ernesto trabalhava como fotografo em sua terra.
     Depois de vários anos de luta infrutíferas no Rio de Janeiro, sem conseguir alcançar o sonho de tornar-se pintor, decidiu voltar definitivamente para Guaratinguetá.
     Nessa época, conheceu Maria Elisa de Moraes, uma jovem de Jacareí , com quem veio a se casar, em 1916. Incentivado por ela, continuou pintando e registrou em suas telas, diversos recantos da cidade hoje desaparecidos.
     Abriu um ateliê fotográfico, começou a dar aulas particulares de pintura, conseguiu emprego de radiologista na Santa Casa e iniciou sua carreira jornalística colaborando com os jornais de estudantes. Junto com sinhô Marques e Pedro Luz, preparava alunos para ingressar na Escola Normal. Disposição para o trabalho não lhe faltava.
     Tornou-se amigo de Marques Guimarães, arquiteto português, professor de desenho da Escola Normal, que já realizara vários projetos para a urbanização da cidade. Ernesto, se entusiasmou com esses planos, passou a defende-los e a criar, ele próprio, mais alguns. Ambos receberam o descaso e até zombarias de pessoas que não tinham mentalidade para aceitar aquelas propostas, muito avançadas para a época.
     O futuro, porém, mostrou o acerto e a visão de seus criadores. Décadas depois, muitos daqueles projetos tiveram que ser realizados, pois o progresso da cidade fez com que se tornassem imprescindíveis.
     Desde essa época, Ernesto nunca deixou de se preocupar com o urbanismo, que quis ver aplicado em sua terra e que foi, por vários anos, tema de seus artigos e campanhas pelas rádios e jornais. Defendia também o uso do paisagismo para o embelezamento da cidade.
     Em 1917, realizou, na sede da sociedade Operaria, sua primeira exposição individual e enviou dois quadros para o Salão Nacional de Belas Artes. Ambos foram aceitos.
     Participar do Salão nacional era o sonho de todo pintor e equivalia a sua consagração, pois os quadros passavam por julgamento rigoroso e nele só figuravam aqueles de reconhecido valor. Foi, portanto, uma grande vitória para o jovem, praticamente autodidata, que enfrentando todas as dificuldades, tinha dois de seus trabalhos expostos ao lado dos maiores nomes da pintura nacional.
     Em 1919, mudou-se para São Bento de Sapucaí, onde Elisa foi lecionar.
     O período que Ernesto passou nessa cidade foi muito importante e exerceu influências que determinaram novos rumos em sua vida. As belas paisagens da Mantiqueira e as pessoas do lugar foram retratadas em telas, uma das quais, denominada “Serrano – paisagem de São Bento de Sapucaí”, figurou no Salão Nacional em 1921.
     O fato mais importante dessa época, foi que ele, com seu espírito sempre atento a tudo, observando e procurando auxiliar sua esposa no trabalho, acabou se entusiasmando com as questões referentes à educação. Nasceu ali, o educador que seria até o fim da vida.
     Elisa transferiu-se para uma escola em Guaratinguetá. De volta à cidade, e com as telas pintadas em São Bento de Sapucaí, Ernesto realizou, em 1922, sua segunda exposição individual.
     O ano seguinte trouxe outros motivos de satisfação. Foi nomeado professor de modelagem da Escola Normal e, ao participar, mais uma vez, do Salão Nacional de Belas Artes, recebeu Menção Honrosa pelo quadro “Figueira”.
     Seu ateliê fotográfico era bastante procurado, inclusive por pessoas de cidades vizinhas. Sempre em busca de aperfeiçoamento, Ernesto não se contentava com os conhecimentos que já possuía e procurava novos caminhos no trabalho. Sua técnica inovadora é citada até hoje pelos historiadores da fotografia no Brasil, entre eles, Boris Kossoy, que afirmou:
     “Quissak está 50 anos a frente do seu tempo”.
     Em 1935, o artista catarinense Pedro Luz, encarregado da decoração da igreja Nossa Senhora das Graças, abandonou o trabalho e Ernesto foi convidado a se encarregar dos quadros que faltavam. Pintou sete telas que foram coladas nas paredes: Rio Jordão, Assunção de Maria, Maria junto ao Filho crucificado, Estigmatização de São Francisco, Santo Antonio distribuindo pães, São Francisco na companhia de animais e São Solano.
     Seu tempo agora era dividido entre o magistério, a pintura, o jornalismo e as atividades que visavam ao desenvolvimento cultural de sua cidade.
     Amante das artes, Ernesto queria vê-la difundida e ao alcance de muitos. Foi grande incentivador e organizador pioneiro dos Salões de Belas Artes no interior do estado. Em Guaratinguetá, foi realizado o primeiro deles na sede da Sociedade Operária, comemorando o tri-centenário da fundação da cidade.
     Outros se seguiram, em datas comemorativas importantes. Vários artistas conterrâneos foram revelados nesses Salões que tinham repercussão em todo o Vale do Paraíba.
     Apesar dos muitos compromissos, Ernesto não abandonou os pincéis. As telas se sucediam. Quando encontrava um local interessante, com uma vista que lhe atraísse a atenção, pegava telas e tintas e ali se instalava, fosse no campo, na via publica ou no litoral e ali ficava pintando tranqüilamente sem se preocupar com o que acontecia a seu redor.
     Vários de seus quadros retratavam o Rio Paraíba. Muitos anos antes que se começasse a falar de ecologia, já se preocupava com o meio ambiente, com o desmatamento e a degradação dos rios. Ao Paraíba, alem de suas telas, dedicou artigos em jornais e programas de rádio.
     Seu trabalho de professor e em prol da cultura também era feito com máxima dedicação. Por isso foi convidado para diversas atividades na esfera do ensino. Em 1943, fez parte da banca examinadora para ingresso no Magistério Secundário e Normal e foi representante da Escola Normal de Guaratinguetá, no Congresso de Ensino realizado em Campinas. Expôs uma tese que foi muito bem acolhida e fez parte dos redatores do Diário do Congresso.
     Em 1948, participou novamente da banca examinadora do Concurso de Ingresso e foi eleito pelos seus colegas, o presidente da mesma. Por causa dessa incumbência, permaneceu por vários meses em São Paulo de onde enviava crônicas para os jornais de sua terra.
     Em 1949, foi mais uma vez escolhido para o mesmo trabalho e, no período em que esteve na capital, fundou no Instituto Caetano de Campos, com Francisco Chimino e seus companheiros de Banca, o Curso de Aperfeiçoamento de Desenho Pedagógico e Trabalhos Manuais. Ainda nesse ano, em outubro, participou, representando Guaratinguetá, do III Congresso Normalista de Ensino Rural na cidade de Casa Branca. Esteve presente, também, no II Congresso que se realizara no ano anterior. Junto com João Toledo, elaborou a reforma de ensino e programas de desenho pedagógico para o curso primário.
     Em 1950, ainda em São Paulo, deu aulas no Curso de Férias para professores de desenho.
     Em outubro, assumiu provisoriamente a direção do Colégio Estadual e Escola Normal “Conselheiro Rodrigues Alves”, em substituição ao diretor, que fora afastado por motivos políticos. Quando em 1953, o diretor foi reintegrado a seu cargo, Ernesto retornou à cadeira de desenho, permanecendo ali até a aposentadoria, em 1957.
     Apesar das muitas ocupações, sempre exerceu atividade jornalística. Através da imprensa, apoiou, criticou, elogiou e sugeriu medidas que ele acreditava serem importantes para sua terra.
     Não se conformava com o fato de Guaratinguetá ter perdido o lugar de centro cultural do Vale do Paraíba, e sonhava com o dia em que esse posto fosse reconquistado. Pobre, sem influencia política, lutou bravamente por essa causa com a única arma de que dispunha – seu trabalho. O único apoio que recebeu, foi de uns poucos idealistas.
     Em 1942, durante a Segunda Guerra Mundial, junto com um grupo de alunas da Escola Normal, e com a colaboração do Professor José Vicente Freitas Marcondes, encabeçou uma campanha denominada “Asas para Guaratinguetá e pilotos para o Brasil”. Pretendiam angariar dinheiro para a compra de um avião que seria doado ao Aeroclube local, para ser usado na formação de pilotos. Para tanto, jovens normalistas venderiam pequenos broches com a forma do V da vitória, feitos com fita verde e amarela. Era uma proposta audaciosa, quase impossível, mas que teve êxito além do esperado. Toda a sociedade foi envolvida e o resultado foi que, 15 dias depois, já havia dinheiro suficiente para a compra, não de um, mas de dois aviões que vieram, efetivamente a fazer parte do Aeroclube.
     Ernesto participou de vários grêmios, como o “Rui Barbosa”, do qual foi eleito Presidente de Honra, e da Associação dos Ex-alunos da Escola Normal. Com Lacáz Filho criou o Grêmio Lítero Musical “Carlos Gomes”. Conseguiu trazer para a cidade um núcleo regional da Associação Brasileira de Escritores e, através dele, fundar a Casa da Cultura, um dos sonhos que acalentou com carinho e que promoveu, alem de salões de arte, conferencias com renomados intelectuais do estado e concursos literários entre outras atividades. Foi membro correspondente da Instrução Artística do Brasil.
     Preocupado com a preservação da história da cidade e em manter viva a imagem do grande brasileiro, Rodrigues Alves, filho da terra, empenhou-se em conseguir que sua casa fosse transformada em museu. Perseguia esse objetivo com obstinação. Nas rádios, nos jornais e até mesmo nos discursos durante solenidades, sempre defendeu essa proposta.
     Em busca de meios para a difusão da cultura e pensando em todos os segmentos da sociedade, em 1950, lançou o projeto da Biblioteca do Detento, para a cadeia publica local. Ela foi inaugurada com um acervo de 700 livros, fruto de doações conseguidas graças ao empenho do amigo João Zappa, conhecido livreiro da cidade.
     Não se descuidou, também, das causas sociais e esteve ao lado do Dr. Souza Pinto, quando da fundação do Instituto de Proteção à Primeira Infância, para atender as crianças carentes.
     Após a aposentadoria no “Instituto de Educação Conselheiro Rodrigues Alves”, em 1957, passou a dedicar toda sua atenção ao Ginásio “Nogueira da Gama”, onde lecionava desenho há alguns anos.
     Em 1959, adoeceu gravemente, vindo a falecer em 5 de novembro de 1960.
     O trabalho como educador foi o que mais o distinguiu. Muitas vezes incompreendido, nunca desanimou na cruzada pela cultura que ele acreditava ser fundamental para o desenvolvimento do país.

     Fonte: http://www.guaratingueta.sp.gov.br/cultura